Lazer & Cultura

Sesc de São Paulo promove o seminário “Espaços livres na cidade”

2 de março de 2016

O Sesc São Paulo e a Associação Escola da Cidade realizam o ciclo de debates Espaços Livres na Cidade, no período de 8 de março a 5 de abril. Ermínia Maricato, José Guilherme Magnani, Heitor Frugoli, Alexandre Barbosa Pereira, Daniela Palma, Giancarlo Machado, entre outros convidados, debatem as diferentes experiências de ocupação de espaços físicos da urbe disponíveis para o usufruto do tempo livre. O ciclo antecede o XI Seminário Internacional Espaço Livre na Cidade da Associação Escola da Cidade, que acontece em abril, e antecipa as discussões que serão desenvolvidas no evento.

O seminário se propõe a identificar as possibilidades concretas para constituição de novos espaços públicos, bem como pensar as diferentes formas ou perspectivas de ver e compreender o significado dos espaços públicos nas cidades. Na pauta das discussões, ruas abertas para o lazer na cidade de São Paulo; juventude e espaços livres; transformações e conflitos urbanos, tendo como exemplo o caso da Praça Roosevelt; gestão e ocupação do espaço livre na cidade; e as experiências e transformações na região do Campo Limpo.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO

Dia 8/3 – Ruas abertas para o lazer na cidade de São Paulo

Nos últimos meses a abertura da Avenida Paulista aos domingos trouxe diversas discussões a respeito da ocupação do espaço público. Desde a necessidade de espaços livres para a prática das diversas atividades de lazer até questões relacionadas ao direito de ir e vir dos moradores da cidade.
José Guilherme Magnani aborda neste encontro os significados da ocupação do espaço público pela população e as implicações para as práticas culturais da população.
– Com José Guilherme Magnani, professor do Departamento de Antropologia da USP. Doutor e livre-docente pela USP e coordenador do Núcleo de Antropologia Urbana da USP.
– Mediação de Martin Corulon, professor da Escola da Cidade.

Dia 18/3 – Juventudes e espaços livres

Tempo e espaço são categorias fundamentais para se pensar os diferentes usos que os jovens fazem da cidade. Isso porque, em primeiro lugar, é fundamentalmente em sua vivência do chamado tempo livre que eles constroem relações que desafiam ordenamentos pré-estabelecidos. Consequentemente, por meio dessa atuação, os jovens reinventam espaços urbanos, construindo, assim, outras possibilidades de vivenciar a cidade.
– Com Alexandre Barbosa Pereira, professor da Unifesp e doutor em Antropologia Social pela USP. Atualmente desenvolve projeto de pesquisa, apoiado pelo CNPq, sobre lazer e práticas culturais juvenis nas cidades de São Paulo e Santos.
– Com Heitor Frugoli, professor livre-docente do Departamento de Antropologia da FFLCH-USP. Doutor em Sociologia pela USP e coordenador do Grupo de Estudos de Antropologia da Cidade-USP.
– Mediação de Marina Grinover, professora da Escola da Cidade.

Dia 23/3 – Transformação e conflitos urbanos: a Praça Roosevelt

Daniela Palma discute os conflitos e transformações urbanas em sua densidade imaginária; no foco, as disputas de sentidos. Não se trata apenas de analisar representações da praça na produção cultural, mas de pensar possíveis articulações entre o simbólico e o vivido na história daquele espaço. O presente da praça é tomado como confluência de memórias e projeções de futuro. Assim, busca-se relacionar sentidos residuais de dinâmicas do passado a formas emergentes de pensar o espaço e também as versões e os projetos institucionais. Três eixos principais são tomados: a construção de uma narrativa sobre “degradação” e “renascimento” da região; a imagem de espaço democrático e libertário e os sentidos oficiais e de mercado.
Giancarlo Machado se debruça sobre apropriação da praça pelo skatistas que regularmente enfrentam uma série agenciamentos que buscam estrategicamente impor usos oficiais aos seus espaços. No entanto, tais usos oficiais nem sempre se impõem aos usos citadinos. Os skatistas recorrem a várias táticas que atualizam, deslocam e inventam um conjunto de possibilidades de apropriação da praça. Emergem, portanto, manobras que, embora em alguns momentos transpareçam serem cooptadas e institucionalizadas, tentam desvencilhar a prática do skate de possíveis domesticações.
– Com Daniela Palma. Professora do Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP. Doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP com uma pesquisa sobre os imaginários sociais da Praça Roosevelt. Participa do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Imagem e Memória do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (NEIIM-LEER/USP) e coordena o Grupo de Estudos em Linguagem e Direitos Humanos (IEL/UNICAMP).
– Com Giancarlo Machado. Doutorando em Antropologia Social-USP. Pesquisador do Núcleo de Antropologia Urbana (NAU/USP) e do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa sobre Futebol e Modalidades Lúdicas (LUDENS/USP). É autor do livro “De ‘carrinho pela cidade’: a prática do skate em São Paulo” (Intermeios/FAPESP, 2014).
– Mediação de José Guilherme Pereira Leite, professor da Escola da Cidade.

Dia 28/3 – Gestão e ocupação do espaço livre na cidade

De espaços formalizados como praças e parques a espaços informais como ruas e becos, os espaços livres das cidades são desenhados cotidianamente no movimento das disputas de ocupação, na diversidade de coexistências e nos conflitos relacionais.
Ermínia Maricato e Julia Ruiz Di Giovanni debatem experiências, evidenciando diálogos, contradições e tensões na ocupação e gestão do espaço público livre na cidade, como por exemplo, nos contextos atuais do Largo da Batata e do bairro da Luz.
Como a participação pública altera o espaço? Quais disputas presentes nos espaços livres da cidade? Quais os desafios para gestão do espaço livre na cidade?
– Com Ermínia Maricato. Professora titular da FAU-USP e professora visitante da Unicamp. Formulou a proposta do Ministério das Cidades, no qual foi ministra adjunta (2003-2005). É autora dos livros O impasse da política urbana no Brasil e Brasil cidades (Vozes).
– Com Julia Ruiz Di Giovanni. Doutora em Antropologia Social e Pós-Doutoranda em Antropologia pela USP. Co-coordenadora do Coletivo ASA – Artes, Saberes e Antropologia, e autora de Artes do Impossível – protesto de rua no movimento antiglobalização, e Cadernos do Outro Mundo: O Fórum Social Mundial em Porto Alegre .
– Com Laura Sobral. Arquiteta e urbanista, graduada pela USP e pela Universidad Politecnica de Madrid. Produtora de projetos culturais, arquiteta, urbanista e pesquisadora. Coautora do guia Inspirador. Fundadora do Instituto A Cidade Precisa de Você e integra A Batata Precisa de Você, movimento de ocupação cultural regular do Largo da Batata.
– Mediação de Vinicius Andrade, professor da Escola da Cidade.

Dia 5/4 – Juventudes e direito à cidade: experiências na região do Campo Limpo

A ligação dos jovens com seu território de pertencimento compõe sua relação com a cidade. Na periferia de São Paulo, ocorreram transformações substantivas nos últimos anos que trazem consequências para os territórios. O aquecimento econômico prolongado – fato que modificou a paisagem da periferia paulistana – novos comércios locais surgiram por conta do aumento do padrão de consumo, além de outros aspectos importantes pode-se perceber uma nova disposição dos jovens em permanecer nos bairros de nascimento. Nesse contexto, novas formas narrativas da vida periférica ganham expressão cultural com reconhecimento e visibilidade.
– Com Marta Bergamin, doutora em Sociologia e professora da Escola de Sociologia e Política de São Paulo.
– Com Thiago Vinícius, produtor de grande atuação na cultura periférica; criou em 2011 a Agência Popular Solano Trindade, que fomenta a produção cultural na região do Campo Limpo.
– Com Shirlei Torrez Perez, gerente adjunta do Sesc Carmo. Mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP.
– Com Paulo Casale, gerente do Sesc Campo Limpo, pós graduado em Administração de Projetos e com especialização em Financiamento e Economia da Cultura.
– Mediação de Pedro Sales, professor da Escola da Cidade.

Sobre o CPF Sesc

Inaugurado em agosto de 2012, o Centro de Pesquisa e Formação do Sesc é um espaço de articulação entre produção de conhecimento, formação e difusão e tem o objetivo de estimular ações e desenvolver estudos nos campos cultural e socioeducativo.

A estrutura do centro é composta por três núcleos que se inter-relacionam:
Núcleo de Pesquisa – analisa questões relativas ao domínio da cultura e sua perspectiva é o estímulo de ações de registro e desenvolvimento de metodologias e avaliações.
Núcleo de Formação – por meio do Curso Sesc de Gestão Cultural visa a qualificação para a gestão cultural de profissionais atuantes no campo das Artes, tanto de instituições públicas como privadas, sempre buscando o equilíbrio entre o ensino teórico e a prática. Também proporciona o acesso à cultura de forma ampla, tematicamente, por meio de cursos, palestras, oficinas, bate-papos, debates e encontros nas diversas áreas que compreendem a ação da entidade, como artes plásticas e visuais, ciências sociais, comportamento contemporâneo e cotidiano, filosofia, história, literatura e artes cênicas.
Núcleo de Difusão – disponibiliza os conteúdos ligados às áreas de atuação do CPF Sesc. Além de contar com uma biblioteca com 11 mil volumes, publica artigos e entrevistas em seu site e biblioteca on line, multiplicando o conhecimento produzido.

Espaços Livres na Cidade

  • De 8 de março a 5 de abril de 2016. Das 10h às 12h.
  • Recomendação etária: 16 anos. Número de vagas: 70.
  • Grátis. Limitado à capacidade do espaço.
  • Atividade com tradução em libras. Solicitação deve ser feita no ato da inscrição, com no mínimo dois dias de antecedência da atividade.
  • Informações e inscrições a partir do dia 25 de fevereiro pelo site (sescsp.org.br/cpf) ou nas unidades do Sesc no Estado de São Paulo.

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